A observação de Albert Szent-Györgyi sobre descoberta se aplica perfeitamente à gestão ativa de investimentos em 2026. Enquanto as ações de crescimento dominaram os mercados por quinze anos, o investimento em valor tem entregado silenciosamente retornos excepcionais em diversos mercados, embora poucos investidores tenham prestado atenção.
O investimento em valor se concentra em empresas que negociam abaixo do seu valor intrínseco, normalmente apresentando índices preço-lucro mais baixos, valorizações preço-valor patrimonial reduzidas e, muitas vezes, pagamento de dividendos. Já o investimento em crescimento busca empresas com potencial de expansão de lucros acima da média, geralmente com valorizações elevadas justificadas por expectativas futuras.
Em 2025, o índice S&P 500 Growth subiu vinte e dois vírgula dois por cento, enquanto o índice Value avançou treze vírgula dois por cento, mas esse dado esconde uma realidade mais complexa. As ações europeias de valor se beneficiaram da rotação fora das ações de crescimento dos Estados Unidos, com o JPMorgan Europe Strategic Value Fund ganhando vinte vírgula vinte e um por cento e o Dimensional European Value Fund avançando dezessete vírgula trinta e nove por cento, demonstrando que a seletividade dentro das estratégias de valor ofereceu retornos comparáveis ou superiores aos dos índices de crescimento mais amplos.
No final de 2025, as dez maiores empresas representavam quase quarenta e um por cento do peso total do S&P 500, mais que o dobro da faixa de dezoito a vinte e três por cento observada entre 1990 e 2015. Essa concentração extraordinária, impulsionada principalmente por megacaps de tecnologia e ações ligadas à IA, significa que investidores passivos fazem apostas enormes sem perceber, baseadas em valorizações que incorporam expectativas extremamente otimistas.
Ainda assim, há oportunidades de valor convincentes em empresas de tecnologia que negociam a múltiplos razoáveis. A Western Digital disparou duzentos e trinta e oito por cento no ano passado, enquanto o múltiplo preço-lucro futuro da Micron Technology, em torno de dez, segue muito abaixo da média do S&P 500, que gira em torno de vinte e três. Essa diferença ilustra as oportunidades que gestores ativos identificam com análise fundamentalista em vez de seguir o momentum. Nem todas as empresas beneficiadas pela IA têm valorizações estratosféricas.
A revolução da inteligência artificial exige quantidades massivas de energia, criando oportunidades em setores ignorados por investidores focados somente em fabricantes de chips. O consumo global de eletricidade de data centers deve dobrar para cerca de novecentos e quarenta e cinco terawatts-hora até 2030, consumindo tanta energia quanto o Japão atualmente. A demanda elétrica dos data centers nos Estados Unidos deve crescer cento e trinta e três por cento, chegando a quatrocentos e vinte e seis terawatts-hora até 2030. Já a Goldman Sachs Research estima um aumento potencial de dez a quinze por cento na demanda de energia na Europa ao longo da próxima década devido aos data centers.
Empresas de energia limpa, utilities com portfólios renováveis e operadores de infraestrutura representam apostas de valor dentro do tema IA. Elas negociam a múltiplos muito inferiores aos das empresas de software, embora seus potenciais de crescimento estejam diretamente ligados à adoção de IA.
A inovação na área da saúde é outra frente em que a gestão ativa encontra valor que estratégias passivas não capturam. O índice NASDAQ Biotechnology subiu cerca de trinta e quatro por cento em 2025, demonstrando forte valorização sem características de bolha. As avaliações de rodadas Série A de biotecnologia ficaram em torno de setenta e nove vírgula quatro milhões de dólares em 2025, refletindo avaliações realistas em vez de entusiasmo especulativo.
O pipeline do setor inclui cirurgia robótica, tecnologias de substituição de órgãos, diagnósticos com IA e edição genética baseada em CRISPR. O mercado global de biotecnologia deve alcançar cinco vírgula oitenta e cinco trilhões de dólares até 2034, com taxa de crescimento anual composta de treze vírgula seis por cento. Esse crescimento ocorre com valorizações razoáveis, uma combinação rara em setores com inovação genuína.
Os padrões que surgiram em 2025 mostram por que a gestão ativa continua essencial. Identificar que empresas como Micron oferecem exposição tecnológica a múltiplos de valor exige análise fundamentalista. Entender que a infraestrutura de IA gera oportunidades no setor energético e nas utilities requer pensar além das classificações setoriais tradicionais.
Gestores ativos têm flexibilidade para montar carteiras que capturam essas oportunidades independentemente das composições de índices. Eles conseguem identificar quais empresas de biotecnologia têm caminhos comerciais reais e distinguir entre empresas de energia que se beneficiarão da eletrificação e aquelas em declínio estrutural.
A forte concentração dos índices passivos significa que investidores indexados fazem apostas enormes em ações extremamente caras. Já os gestores ativos podem participar de temas de crescimento genuíno por meio de empresas que negociam a múltiplos razoáveis, oferecendo tanto participação na alta quanto proteção na baixa.
O tipo de descoberta descrito por Szent-Györgyi exige examinar as mesmas informações disponíveis a todos os investidores, mas chegar a conclusões que outros não alcançam. Existem oportunidades de valor em vários mercados. Exposição tecnológica não exige comprar as ações mais caras. A inovação biotecnológica avança sem valorizações infladas. A infraestrutura de IA cria oportunidades muito além dos fabricantes de semicondutores.
Em um ambiente onde os índices principais estão cada vez mais concentrados em ações extremamente caras, a diferença entre abordagens ativas e passivas nunca foi tão importante. Os investidores que prosperarem serão aqueles que entenderem que participar de temas de crescimento genuíno não requer pagar prêmios de ações de crescimento, e que olhar além do óbvio revela possibilidades que muitos ignoram. Essa é a essência da gestão ativa e o motivo pelo qual ela continua indispensável para quem deseja ver o que todos viram, mas pensar o que ninguém pensou.
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