Na semana passada, o CEO e Chairman da BlackRock, Larry Fink, publicou sua carta anual aos investidores, e o momento não poderia ser mais oportuno. Ela chega em um contexto de alta incerteza nos mercados, enquanto o conflito no Oriente Médio impacta o cenário econômico global. No entanto, em vez de aumentar o ruído, a carta faz exatamente o oposto. Embora coincida com um período de volatilidade nos mercados financeiros, Fink busca ir além desse ruído para identificar oportunidades e tendências que possam ajudar os investidores a construir patrimônio.
“Eu ouço isso de quase todos os clientes, quase todos os líderes e quase todas as pessoas com quem converso: eles estão mais ansiosos com a economia do que em qualquer momento recente. Eu entendo por quê. Mas já passamos por momentos como este antes. E, de alguma forma, no longo prazo, conseguimos encontrar soluções”, escreve. Essa afirmação, por si só, merece uma pausa.
A carta vem de alguém que conquistou o direito de ser ouvido. A BlackRock é a maior gestora de ativos do mundo, com US$ 14,041 trilhões em ativos sob gestão no final de dezembro de 2025. Fundada em 1988, a empresa alcançou essa posição por meio de fusões, inovação e capacidade de adaptação, crescendo de US$ 69 bilhões em ativos sob gestão em 1995 para US$ 13,5 trilhões no terceiro trimestre de 2025, o que representa uma taxa composta de crescimento anual de 19%. Não se trata de uma empresa construída com base na sorte ou no curto prazo, mas sim na disciplina que Fink defende.
A principal pergunta que a carta propõe aos investidores é profundamente simples: por que você investe? É para financiar a aposentadoria, pagar a educação, adquirir uma segunda residência ou simplesmente construir uma reserva financeira? Esses são objetivos de longo prazo, e exigem uma abordagem alinhada com esse horizonte. No entanto, no ambiente atual, manter essa abordagem está mais desafiador do que nunca.
A matemática da paciência é convincente e deve ser revisitada com frequência. Um investimento de US$ 100 no S&P 500 em 2006, mantido até hoje, teria gerado um retorno de aproximadamente 679%, ou 10,81% ao ano, superando a inflação e entregando um retorno real acumulado de cerca de 380%. Esses US$ 100 hoje valeriam aproximadamente US$ 779. Ao longo dessas duas décadas, os mercados enfrentaram a Crise Financeira Global, a crise da dívida soberana europeia, a pandemia de COVID, a guerra entre Rússia e Ucrânia e o atual conflito no Oriente Médio. Apenas durante a crise imobiliária e a Grande Recessão, o S&P 500 caiu mais de 40%, deixando temporariamente os investidores com cerca de US$ 590 para cada US$ 1.000 investidos. Aqueles que mantiveram suas posições foram amplamente recompensados. Aqueles que entraram em pânico, não.
O histórico de Buffett reforça esse argumento com ainda mais força. Um investimento de US$ 100 na Berkshire Hathaway no início de 1965 teria alcançado aproximadamente US$ 6,1 milhões até o final de 2025, com uma taxa composta de crescimento anual de 19,7%, quase o dobro dos 10,5% do S&P 500. Desde 1965, as ações da Berkshire geraram quase 20% ao ano, contra 10% do S&P 500. Esse desempenho extraordinário não foi construído com base em tentar acertar o timing de mercado, mas sim na identificação de empresas de qualidade e na manutenção dessas posições com convicção ao longo de ciclos que frequentemente levariam investidores menos disciplinados a desistir.
Outro ponto relevante da carta de Fink merece atenção. Em vez da tradicional alocação 60/40 entre ações e renda fixa, ele sugere que os investidores considerem diversificar em ativos de mercados privados, propondo uma divisão 50/30/20 entre ações, renda fixa e ativos privados, como infraestrutura e imóveis. Ele também destaca que há mais capital parado do que em qualquer outro momento de sua carreira, com aproximadamente US$ 25 trilhões estacionados em bancos e fundos de mercado monetário apenas nos Estados Unidos. Trata-se de capital que não está trabalhando de forma eficiente para os objetivos de longo prazo de seus proprietários.
A atual turbulência geopolítica vai passar. Sempre passa. Os temores de recessão, as correções de mercado e as crises que dominam os noticiários surgem com frequência ao longo da história, e os investidores que saem mais fortes desses períodos são aqueles que resistem ao impulso de agir com base na ansiedade de curto prazo. O S&P 500 historicamente se recupera das quedas, e permanecer investido no longo prazo permite atravessar a volatilidade.
Fink e Buffett não são otimistas ingênuos. São dois dos investidores mais rigorosos da era moderna, e ambos chegam à mesma conclusão: tempo no mercado é mais importante do que tentar acertar o momento de entrada. É um princípio simples de explicar, mas difícil de aplicar. Ainda assim, os números constroem um argumento impossível de ignorar.
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