Tentar prever para onde as taxas de câmbio vão se mover em seguida está entre os exercícios mais ingratos das finanças, possivelmente mais difícil do que prever os mercados de ações, pois exige acertar a visão relativa de duas economias simultaneamente, não apenas uma. O destino de uma moeda depende da geopolítica, da dívida em relação ao PIB, das trajetórias de inflação, dos diferenciais de taxas de juros, dos rendimentos dos títulos e da solvência soberana, tudo interagindo ao mesmo tempo e muitas vezes puxando em direções diferentes. No entanto, para investidores domiciliados em países com moedas historicamente mais fracas, ignorar essa dimensão da construção de carteiras não é realmente uma opção.

O panorama atual ilustra o motivo. O Federal Reserve manteve a faixa-alvo da taxa de juros dos fundos federais entre 3,5% e 3,75% em sua reunião de final de julho, observando que a atividade econômica está se expandindo a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza ligada, em parte, ao conflito no Oriente Médio. Um salto nos preços da gasolina resultante da guerra com o Irã elevou a taxa de inflação anual a 4,2% em maio, seu nível mais alto em mais de três anos. Essa combinação de taxas firmes e inflação persistente manteve o dólar atraente em termos de carry, mesmo com as dúvidas persistindo sobre a trajetória fiscal de longo prazo dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o domínio do dólar nas reservas globais permanece, em grande parte, intacto, mesmo que esteja sendo corroído nas margens. A participação das reservas em dólares americanos caiu para 56,77% no quarto trimestre de 2025, ante 56,93% no terceiro trimestre de 2025, um desgaste gradual, não um colapso. A participação do euro caiu para 20,03% no primeiro trimestre de 2026, ante 20,38% no quarto trimestre de 2025, enquanto a participação do renminbi subiu ligeiramente para 1,99%, ante 1,95%. Esse último número importa enormemente para quem cogita a ideia de que a moeda chinesa está próxima de substituir o dólar. Não está. Uma moeda usada por apenas 2% das reservas globais, emitida por um Estado que controla tanto os fluxos de capital quanto a informação, não é uma alternativa séria de reserva de valor para quem prioriza a preservação do capital acima da convicção política.

Para investidores na América Latina, o cálculo em torno da exposição ao dólar não é acadêmico. A moeda nacional da Argentina caiu para seu nível mais fraco de todos os tempos frente ao dólar americano, marcando mais um marco significativo na prolongada luta econômica do país. O peso argentino caiu para seu valor mais baixo de todos os tempos em relação ao dólar americano, estendendo uma tendência de depreciação de longo prazo que reduziu significativamente o poder de compra de famílias e empresas em todo o país. Isso não é um choque isolado, mas o mais recente capítulo de um padrão que se estende por décadas, e explica por que os ativos denominados em dólar têm tanto apelo para poupadores que viram sua moeda local se corroer repetidamente, independentemente de qual governo esteja no poder.

É tentador supor que isso seja puramente uma preocupação de mercados emergentes, mas isso seria um erro. A história recente da libra esterlina serve como um lembrete útil de que o status de país do G7 não confere imunidade alguma. A libra/dólar subiu 6,5% em 2025, mas isso foi impulsionado pela fraqueza do dólar americano, e não por uma força notável da libra, e o índice do dólar caiu 10% ao longo de 2025, marcando seu pior desempenho anual desde 1979. Em outras palavras, a aparente força da libra no ano passado dizia mais sobre a fraqueza do dólar do que sobre a resiliência da libra, e ela continua exposta a episódios de fraqueza se o risco político aumentar, as preocupações com o crescimento se aprofundarem ou as expectativas de juros voltarem a se mover no Reino Unido. Uma década de instabilidade política e crescimento fraco deixou a libra como uma reserva de valor menos confiável do que costumava ser, razão pela qual até mesmo investidores baseados no Reino Unido buscam cada vez mais diversificar além de sua moeda local.

A Suíça continua sendo o contraexemplo permanente, uma economia pequena que tem um peso muito maior do que seu tamanho no mundo da gestão de patrimônio. A Suíça administra 25% da riqueza privada transfronteiriça global, totalizando CHF 2,4 trilhões no início de 2026, uma concentração construída sobre décadas de confiança baseada em previsibilidade política, força da moeda e confidencialidade legal. O baixo peso do franco nas estatísticas oficiais de reservas disfarça o quanto ele é desproporcionalmente confiado pelo capital privado que busca uma alternativa genuína ao dólar e ao euro.

Nada disso equivale a um argumento para abandonar completamente a exposição à moeda local, nem sugere que o dólar seja uma aposta livre de risco, dadas as próprias tensões fiscais dos Estados Unidos. Mas para investidores cuja moeda local tem um histórico de depreciação, seja esse histórico abrangendo décadas na Argentina ou apenas uma década difícil no Reino Unido, manter uma parte da riqueza em dólares, francos ou instrumentos internacionais genuinamente diversificados tem menos a ver com buscar rendimento e mais com não colocar cada unidade de poder de compra atrás das promessas de um único governo. O risco cambial não pode ser cronometrado com mais confiança do que o timing do mercado de ações. Ele pode, porém, ser diversificado, e essa distinção merece ser posta em prática em vez de debatida indefinidamente.

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